terça-feira, 11 de setembro de 2007

Salvo pelo vigia de rua

Se não fosse engraçado, seria dramático, o episódio que aconteceu na minha casa no final de semana passado. Meu irmão estava em casa sozinho com meu primo quando o alarme disparou, ele desesperado foi até a cozinha apanhou uma faca e saiu pela casa para enfrentar o ladrão. A cena dele andando pela casa com uma faca na mão foi no mínimo engraçada, e ele próprio morreu de rir ao relatar o fato. Ainda mais quando contou que o motivo era um bêbado que estava tocando a campainha pedindo comida. Meu irmão foi salvo pelo vigia de rua, que chegou rapidamente em uma moto, e resolveu o problema e ao certificar-se que estava tudo em ordem voltou ao seu posto.

Os vigias de rua aumentam à medida que cresce a violência nas cidades, com segurança precária nós cidadãos temos que apelar com tudo para nos sentirmos um pouco mais protegidos, e essa nossa insegurança desenfreada alimenta essa classe trabalhadora.

Eles geralmente trabalham sem formalidades legais, e são remunerados através de arrecadações entre os moradores de uma determinada rua, cada morador paga uma quantia e alguns chegam a pagar somente 5,00 por mês pelo serviço.
Munidos de apito, motocicletas, bicicletas e porretes, a função deles é inibir a ação criminosa, ativando os alarmes, chamando a polícia ou até mesmo atacando os marginais. É uma profissão perigosa e arriscada.

A esse ponto chegamos, assim como a saúde e a educação temos que pagar por segurança, alem da tensão de certos momentos, quando ouvimos um barulho, como meu irmão naquela noite, andando pela casa com a faca na mão.
Nossa paz e sossego são violentados a cada dia toda vez que tomamos conhecimento de um assalto, ou de algum crime no nosso bairro ou cidade.

Vivemos sobre uma pressão e nos trancamos nas nossas casas sob a proteção de vigias de rua muitas vezes pouco treinados e sem qualificação o bastante para tão árdua tarefa.

Quando eu morava no interior e anoitecia, tínhamos medo de aparecer alguém na rua, e corríamos se aparecia alguém, era medo de assombração. Agora se ando na rua sozinha, rezo pra ver uma pessoa, uma companhia qualquer, caso haja um assalto ou coisa parecida, eu não esteja sozinha, e nem que for assombração, está valendo se pelo menos puder chamar a policia.

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